Sunday, July 23, 2006

domingo de tarde

Era domingo
o sol tinha baixado um pouco
meu pai e eu
andando de bicicleta pelas ruas
sentindo o vento frio no rosto
encolhendo o pescoço ao passar pelas árvores explodindo em flores
o sol deixava seus rastros de luz em listras pelo asfalto
eram quinze pras cinco
e o vento batia no meu pescoço
e levantava meu rabo - de - cavalo preso numa borrachinha branca
enquanto eu cantava "I've got sunshineeee" e o meu pai sorria pra mim
falei pra ele do meu desejo de ter uma vespa
"uma vespa besta, pai"
e ele me olhava com uma cara de quem estava me achando boba
mas eu nem ligava
empinava o nariz pro céu e cantava ainda mais
cantava e ouvia os gritos dos torcedores ali no estádio
vitória X américa mineiro
uuuuuuuh uuuuuuuuh uuuuuuuh
tinha um senhor na rua
cantando o hino do vitória
e eu lembrei do meu avô
e sorri
pedalei pedalei pedalei
há quanto tempo eu não pedalava
meu pai tava distante agora
agora, era só eu, o vento, a biclicleta
e o meu nariz
sempre empinado pro céu
e eu segui em frente
cantando "i've got sunshiiiiiine".

Escrito por ballerina às 2:07 PM

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Thursday, July 20, 2006

Calando-me

Tem horas que a melhor coisa é ouvir o que vem de dentro, não de uma tv, de um computador ou até mesmo o que se fala dentro de sua casa, mas o que fala dentro de si, o que dói, o que lateja, e o que brilha. É bom ouvir o que o "eu" me diz, e ele sempre, sempre, me diz a verdade, por pior que ela seja.
Não seja sempre assim, desconfiada, duvidosa. Saiba se jogar, confiar mais nos outros, e acreditar mais em si. Cuide mais da sua pele, não coma tanto doce. Por mais que seja difícil, tente sempre estudar mais, dedicar-se. Chore toda vez qe sentir vontade. Chorar faz bem, lava a alma, purifica, e as lágrimas levam com elas todas suas mágoas, seu medos e suas fraquezas. Sorria, também. Sorria o dia todo, por qualquer coisa, pra qualquer um na rua, um vira-lata, um neném, um mendigo. Dance. Eu sei que isso não preciso nem recomendar, mas dance. Muito. Dance para esquecer, dance para lembrar, dance para celebrar, pedir, agradecer. Se transforme em arte, seja artista, seja mulher, seja humana. Saiba reconhecer o valor de cada coisa, e saiba dar o devido valor a quem te cerca. Nunca, mas nunca, perca a bailarina que existe dentro de você. Você nasceu assim, bailarina, dando asas às melodias e tornando realidade o sonho de menina. Ame. Ah, como você tem que amar...amar sem esperar nada de volta, amar com o simples propósito de amar...amar as pessoas, os amigos, as lembranças...amar os animais, amar quem guarda seu coração lá longe...Fale tudo que pensa, mesmo que isso vá ferir ou machucar alguém. Exploda. Sim, explodir às vezes é necessário: mágoa acumulada causa câncer, envelhece e te torna dura. Seja criança, dessas que se alegra com um picolé, que brinca na água do mar e que cultiva sonhos. Seja mais tolerante, tenha mais paciência com quem te pede calma, gaste menos, leia mais. Beba bastante água, você tem cristais nos rins. Use mais seu óculos, você fica com dor de cabeça. Saiba usar sua ciência para o bem, tendo ética e dignidade em suas escolhas. Procure sempre os amigos, diga "eu te amo", peça desculpa. No mais, eu estarei sempre aqui, dentro de você...e seja feliz. Sempre.


ps.: não são conselhos. São só uma forma de falar comigo mesma de um jeito "diferentee".


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na imagem, Ofélia, de John William Waterhouse. Personagem shakespeariana com a qual me identifico muito...tirando o fato de ela ter se suicidado!

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Escrito por ballerina às 1:04 PM

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Wednesday, July 19, 2006

só pra constar

Férias marcadas por Cordel do Fogo Encantado, O Teatro Mágico (conheci a pouco tempo, pelo blogger), Malu de Bicicleta (de Marcelo Rubens Paiva), decoupage, dvd novo de Hair e falir na locadora do meu bairro. Quero recomendações de filmes, bandas e livros, se não for pedir muito!

Escrito por ballerina às 8:02 AM

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Meu Perfil

Nome: Mariela
Cidade: Vitória

"Mas a verdade, a verdade verdadeira que eu falar não posso, aquilo que representa o real desejo do meu coração, seria abrir os braços para o mundo, olhar para ele bem de frente e lhe dizer na cara: Te dana! Sim te dana, mundo velho. Ao planeta com todos os seus homens e bichos, ao continente, ao país, ao Estado, à cidade, à população, aos parentes, amigos e conhecidos: danem-se! Danem-se que eu não ligo, vou pra longe me esquecer de tudo, vou a Pasárgada ou a qualquer outro lugar, vou-me embora, mudo de nome e paradeiro, quero ver quem é que me acha. " - Cecília Meireles

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